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Cirurgia devolve autoestima e ajuda idosos a superar depressão

Já debilitados pela falta diária da convivência familiar, a televisão e os livros são fiéis companheiros dos moradores do abrigo e a falta desse contato, por não estarem enxergando adequadamente, leva ou agrava o quadro de depressão.
Renata Prata | GCom-MT

Haillyn Heiviny/GCom-MT
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A cirurgia de catarata é importante para a saúde emocional e a recuperação da autoestima de idosos, como os do abrigo Bom Jesus de Cuiabá, que passaram por consulta oftalmológica na terça-feira (17.11), durante a Caravana da Transformação.

Já debilitados pela falta diária da convivência familiar, a televisão e os livros são fiéis companheiros dos moradores do abrigo e a falta desse contato, por não estarem enxergando adequadamente, leva ou agrava o quadro de depressão. Dos 15 pacientes que foram atendidos na Arena Pantanal, 8 passarão pela cirurgia.     

“Muitos dos idosos que vivem em abrigos sofrem com depressão. Com a cirurgia, quando passam a enxergar melhor, a autoestima melhora. Muitos não conseguem mais vestir roupa, se locomover e tomar banho sozinhos e isso interfere muito na parte emotiva.  A visão é extremamente importante para a saúde emocional deles”, explica a assistente social Adeline Magalhães.

Grande parte dos moradores do abrigo Bom Jesus é da zona rural e essas pessoas são muito ligadas ao contato visual, como o proporcionado pela televisão, afirma a assistente social. “Temos dez idosos que conseguem ler, mas como a maioria aqui não tem alfabetização a identificação visual é muito importante para eles. Quando eles perdem a visão, ficam muito mais nervosos, porque eles não conseguem ver a feição das outras pessoas”.

Felipe da Costa, de 88 anos, é um dos moradores que não sai da frente da televisão. Ele, que passou pela cirurgia de Catarata há alguns tempo e veio para fazer a consulta de rotina, comemorou o fato de estar tudo bem com sua visão. “Eu sou noveleiro assumido. Também gosto de ajudar nas tarefas do abrigo, faço pequenos trabalhos como pedreiro e carpinteiro”, diz o idoso que é viúvo e tem cinco filhos, mas recebe a visita frequente de apenas uma, que mora em Mato Grosso.

“O que eu quero para o futuro é enxergar mais longe”, disse o cadeirante Gentil Nicasso, de 89 anos, um dos leitores assíduos do abrigo. Nascido em São José do Rio Preto, ele sempre trabalhou com caminhão de mudança. Em 1999, enquanto estava trabalhando em Brasnorte, ele se acidentou seriamente e foi internado no Pronto Socorro de Cuiabá, sendo convidado para ir para o abrigo em 2000. Viúvo há mais de 40 anos, Gentil tem três filhos que moram nos estados de São Paulo e Paraná, com quem só mantem contato pelo telefone. Ele fez a cirurgia de catarata do olho direito pelo SUS e agora irá operar o olho esquerdo. “Eu andei esse Brasil todo no caminhão, conheci Cuiabá na década de 50. Hoje a falta da vista me atrapalha muito, porque ler é uma das poucas diversões que tenho”.

A CARAVANA FACILITA 

A liberação de consulta oftalmológica pelo SUS é muito demorada, segundo Adeline. Ela afirma que como a demanda é muito grande, a fila de espera vai de 6 meses até 2 anos. “Esta consulta aqui na Caravana facilita muito, porque muitos idosos perdem a visão por conta desta espera”.

A assistente social elogiou a organização e atendimento dos voluntários, que deu todo apoio para os idosos, em especial aos 4 cadeirantes presentes e ao serviço prestado pela Defesa Civil, que disponibilizou um ônibus para trazer a equipe do abrigo até a Arena Pantanal.

Francisca Barbosa dos Santos é uma das que veio para fazer apenas a consulta de rotina. Ela operou dos dois olhos há alguns meses e veio regular o grau dos óculos. “Minha vista está boa de um modo geral, mas como estou precisando arrumar meus óculos porque estou enxergando meio embaçado e isso me atrapalha um pouco porque gosto de costurar, sempre trabalhei com costura, trabalhava numa fábrica de jeans em Goiânia”, disse a senhora de 84 anos.   

13ª CARAVANA

A expectativa é que sejam feitas 20 mil consultas oftalmológicas e 15 mil cirurgias de catarata, yag laser e pterígio durante a Caravana da Transformação, entre os dias 16 de abril e 10 de maio. Os pacientes submetidos a cirurgia recebem o acompanhamento pós-operatório em três etapas, sem nenhum custo, com realização de consultas, exames e avaliações 24h, sete dias e trinta dias depois do procedimento cirúrgico.

Para ser atendido é necessário trazer documento de identificação com foto, comprovante de endereço e cartão do SUS. Nesta edição serão atendidos moradores de Cuiabá, Várzea Grande, Acorizal, Barão de Melgaço, Chapada dos Guimarães, Jangada, Nova Brasilândia, Nossa Senhora do Livramento, Planalto da Serra, Poconé, Santo Antônio do Leverger, Rosário Oeste e Nobres.





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